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Carros elétricos chegam ao país com seguro mais barato

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carro eletrico nissan leaf 2020 06 sourceZurich, por enquanto, é a única a oferecer proteção específica. Como as seguradoras estão se movimentando para atender o novo segmento

São Paulo – A onda dos carros 100% elétricos chegou ao Brasil. Pelo menos cinco modelos já são vendidos no país: BMW i3, Jaguar i-Pace, JAC ieV40, Renault Zoe e Nissan Leaf. Nos próximos meses, deve ser lançado o Bolt, da Chevrolet.

Por enquanto, todos os carros são importados e custam, em média, 230 mil reais. O mais barato, o Renault Zoe, custa 150 mil reais. O mais caro, o Jaguar i-Pace, 437 mil reais.

Por serem tão valiosos, quem compra um carro 100% elétrico já encontra hoje seguro para os modelos? Específico, apenas um: o da Zurich, que começou a ser comercializado no mês passado em conjunto com o de carros híbridos.

Outras seguradoras, por enquanto, aceitam o veículo na mesma categoria dos modelos que unem motor a combustão e elétrico. As empresas ainda analisam a possibilidade de oferecer uma proteção mais segmentada para o nicho.

E quanto o proprietário de um carro elétrico paga para ter o carro protegido? Por enquanto, bem menos do que em outros países, e até menos do que pagaria em um veículo flex do mesmo porte.

Isso acontece porque as seguradoras precisam incentivar a adesão para criarem volume de dados e, somente então, colocar um preço de acordo com a média de sinistros. Portanto, quem resolver adquirir algum dos modelos agora encontra preços baixos.

Panorama

Priscilla Magni, superintendente de automóvel da Zurich, aponta que a experiência da seguradora na Europa, onde o segmento de carros elétricos já está consolidado, foi o gatilho para criar uma proteção específica para os modelos por aqui, um mercado com potencial, na visão da seguradora.

Ao lançar a proteção, a Zurich optou por praticar preços 20% menores do que praticaria em veículos a combustão do mesmo porte. Em países como a Inglaterra, por exemplo, os preços dos seguros de carros elétricos chegam a ser de 30% a 40% maiores do que os flex.

Mas Priscilla pondera. “Lá fora, algumas marcas de elétricos registram uma alta sinistralidade e acabam distorcendo os dados. Aqui, como são poucos modelos, conseguimos precificar melhor”.

Na Mapfre e na Porto Seguro atualmente os carros 100% elétricos são tratados como modelos híbridos importados. Ou seja, a proteção de ambos tem o mesmo valor.

Para Rogerio Hashimoto, superintendente técnico de automóvel da Mapfre, falta informação e volume sobre o segmento. “São cerca de mil carros. Portanto, estamos analisando como a proteção para esses modelos deve funcionar”. A seguradora já recebeu consultas sobre o Renault Zoe, e até agora não houve problemas no atendimento. “Foram casos de danos parciais e roubos, nos quais não há diferenciação entre os modelos”.

A Porto Seguro estima que terá uma proteção mais segmentada para os elétricos nos primeiros quatro meses do ano que vem. Jaime Soares, diretor da divisão de automóveis, acredita que os preços das proteções devem ficar entre 5% a 10% abaixo dos modelos convencionais, inicialmente. “Os carros ainda não têm atratividade para desmanches ilegais”. 

Principais diferenças

Um dos problemas de proteções que não são específicas para o nicho são os procedimentos adotados no caso de descarregamento ou pane da bateria.

Enquanto a proteção da Zurich leva um carregador de bateria até o local do sinistro, a Mapfre, por exemplo, ainda não sabe como atender esse cliente. “Atualmente, conseguimos oferecer um guincho para deslocar o carro até um ponto mais próximo de recarga. Mas sabemos que o mais cômodo para o cliente seria seguir viagem. Mas temos revendedores no Brasil todo para preparar como forma de oferecer esse atendimento”.

A Porto Seguro ainda está na fase de capacitar cerca de 300 centros de sua rede credenciada para que se tornem pontos de recarga. A Zurich ainda não tem uma ampla rede especializada, mas aponta que nas principais cidades do país o proprietário do modelo encontra ao menos uma oficina com expertise em carros elétricos.

Além de atender o segurado na estrada, o seguro da Zurich oferece um cabo de carregamento opcional para elétricos. “É a única cobertura adicional do modelo. Entendemos que geralmente o proprietário do carro vai realizar o carregamento em casa, e terá bastante autonomia para rodas com a bateria. Mas, em viagens, talvez ele precise carregar outro no carro, se sinta mais confortável”, diz Priscilla.

Além da “pane seca” do elétrico, outro ponto de atenção que deixa todas as seguradoras sem saber direito o que fazer é um eventual problema na bateria que exija a sua troca. Isso porque o equipamento é caro. “Com o tempo, essa característica pode deixar o preço da franquia um pouco maior”, diz Soares, da Porto Seguro.

Para Hashimoto, da Mapfre, no futuro os serviços agregados para proprietários de carros elétricos, como carro reserva e assistência especializada, vão fazer a diferença, e são eles que devem causar uma elevação no preço.

Levantamento

Na base do comparador de preços de proteções Comparaonline, apenas dois modelos 100% elétricos estão no cadastro das seguradoras com as quais trabalha: o BMW i3 e o Renault Zoe.

O seguro do BMW i3 só é aceito pela Sompo e custa 21 mil reais. Segundo análise do comparador, geralmente carros de luxo têm restrições de aceitação nas seguradoras porque são modelos mais visados por criminosos.

Já o seguro do Renault Zoe custa, em média, 5 mil reais na Porto Seguro, Azul e Mapfre.

O comparador considerou uma proteção para um homem de 30 anos, solteiro, que vive na Vila Nova Conceição, em São Paulo.

O seguro simulado cobre 100% da tabela Fipe, 50 mil reais de danos materiais e corporais a terceiros, e 5 mil reais por danos morais, morte e invalidez por passageiro, assistência 24 horas completa, carro reserva e reparo de vidros.

Os carros 100% elétricos não têm um similar híbrido para comparação. Só é possível comparar um híbrido e um flex no mesmo modelo. Nesse caso, o seguro do Fusion convencional, da Ford, é cerca de 10% mais caro do que o híbrido, em média.


 Fonte: Marilia Almeida - Revista Exame em 11/08/2019

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